quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Noturna.



Feliz é a mariposa.
Fez da borboleta sua esposa.

Dançaram a luz da Lua,
fizeram rasantes pela rua.

Celebraram sua união
com muito vinho e pão.

Viu crescer seu filhote
encasulado na luz do poste.

Fechou suas asas e poesia,
num belo voo de utopia.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Você é diferente.


Esse blues...
Me deixa tão blue...

Não me deixa dormir
me leva para dentro de mim
aqui é estranho
mas é bom ser estranho...

Minimamente tive a coragem de abrir os olhos
encarar esse demônio ateu dentro de mim
e rir da cara dele.

Nos tornamos grandes amigos.

Rapaz... Moça... Tanto faz aliás!
Esse blues...
Essa noite...
Esse vinho...
Toda essa dor...
E uma lembrança de quem lhe fez sorrir.

As vezes é meio complicado andar fora da linha
mas compensa...
sabe por que?

Hora ou outra você é percebido,
sozinho, debaixo da chuva,
tomando seu vinho,
falando suas bobagens...

Apenas me restou ser diferente,
é tudo que tenho a oferecer afinal.

Como se ser gentil com quem merece fosse um grande esforço...

Acredito ter entendido muita coisa
sobre mim,
sobre o mundo,
sobre Dionísio
sobre as pessoas.

Sou um good boy
preso na carcaça de um bad boy.
Pobre child...

sábado, 17 de novembro de 2012

Por uma parede, um abraço.


Olhei pela janela -que lixo-, voltei a dormir. Não tem poesia hoje não. Cadê minha garrafa de vinho? -Ah cara, inferno-, já nem sabia o que estava xingando. Adoro isso... Enquanto isso, no apartamento ao lado, a vizinha bailarina tomava uma lata de alguma boa cerveja pilsen mesmo no frio infernal que fazia na varanda.

-Ei... Quer me dar um abraço?-
-Ei... Quer um abraço?-

Uma troca de olhares.
Um gole de cada lado.

-Dois babacas-
-Dois babacas-

Cada um para sua poltrona, dividir a mesma parede, a mesma cidade, o mesmo desejo, o mesmo tédio. Por uma parede, um abraço, uma família que nunca vai se formar.

-Boa tarde-
-Muito boa-


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Diário noturno.



Noites, noites, longas noites.
Um abraço, um vinho, uma longa conversa.

Noites, noites, bonitas noites.
Um beijo, um aperto e mais um dose.

Noites, noites, delicadas noites.
Amores que vão e que vem,
que vão,
que vem,
que ficam.

Noites, noites, amanhecidas noites.
Um drink na chegada, um drink na saída,
disfarçam e matam o amor feito, desfeito e refeito.

Noites, noites, lucidamente embriagadas noites.
Uma boa desculpa para o amor.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Carta a sua Pequena.

   

Desta terra impura
violentada pelos maliciosos homens
por fim retirar-me-ei

Sensação tal qual a do primeiro beijo em seu anjo
primeiro toque em sua carne,
estranhamente
é melancólica como a primeira lágrima inocente
que veio a rolar em meu peito em pelo cru
à primeira, das diversas que seguiram-se
uma sempre mais pesada que a anterior.

Guardei todas,
escrevi e amei cada uma delas.

Este perfume rubi,
este licor rubi
lavando essas mãos e bocas sujas
as quais ainda desejam profanar seu corpo,
essa alma tão sua,
tão igual,
tão gêmea,
tão castigada por essa ausência,
ausência mundana, logo imunda.

É estranho...
Achei que a ultima lagrima doeria,
mas ela não dói,
ao passo que é um alívio.

Logo mais...
Logo mais...
Vou ter algumas bonitas dezenas de primaveras
a lado das flores.

Ver-te germinar, crescer, florescer,
criar sementes,
chorar um pouco mais
e nutrir aquele ódio ciumento da abelha que lhe colhe o néctar.

Nesse túmulo inexistente
apenas uma pétala de mágoa pode residir
encoberta por bons pares de pétalas do que representou seu amor.

Fazer-te virar anjo com um beijo.
Fazer-me virar anjo com um corte.

In my life...
i...
love you...
more...

Também sinto.


Acordei sozinha, suja e triste, olhei ao redor e ela já havia ido embora, - aquela canalha -. Prendi os cabelos deixando um cacho sobrar em frente ao olho esquerdo, desci para a cozinha de calcinha e camiseta dos Beatles, examinei a geladeira - ótimo, nada de novo -, peguei uma cerveja, direcionei-me ao jardim - Evoé Dionísio - e metade da lata se vai com aquele primeiro gole gostoso - que horas são? Esse Sol... Puta merda deve ser pelo menos meio dia para mais -, no mesmo instante, o cachorro pulou em mim e ficou apoiado nas patas traseiras - owhn, vem aqui Sabujo velho da mamãe. Ta com fome? Ohwn, desculpa meu bebê, ja vou te dar comida ta bom? -. Fiquei ali mimando o vira-latas por um bom par de minutos, - você sente falta do papai não é? - ele não respondeu, apenas abaixou as orelhas e me encarou com um olhar que suponho ter sido cabisbaixo, ficamos ali abraçados por mais alguns bons pares de minutos -mamãe também meu bebê, mamãe também.-

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Uma boa desculpa.


E ai eu leio seu blog, e ai fico trouxa com suas palavras,
 e ai percebo o quanto também poetisa a desgraça,
 se ela tem de ser, que ao menos seja bonita.

 Percebo dai o quanto te acho incrível,
 o quanto entendo cada copo de bebida seu,
 será que eles não tem a mesma causa em comum com os meus?

 Como ja disse, é a tal crise dos 20 e poucos.
 Rs, você vem em bom momento, o pior momento possível.

E nos diferimos aqui,
onde você continua incrível ao seu modo
e eu comecei escrevendo isso para uma amiga querida
e terminei só para causar ciumes em alguém que não merece.

É a velha desculpa da crise.
rs.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Café frio.


Café frio, fraco e salubre.
Uma tarde estranha,
um café estranho,
uma pessoa estranha,
amor estranho.

Frio, fraco e salubre.
Amor.

Tipo o café,
mas o café é possível de se jogar pelo ralo e fazer outro.

Tipo o amor,
só que ao contrário.