quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Carta a sua Pequena.

   

Desta terra impura
violentada pelos maliciosos homens
por fim retirar-me-ei

Sensação tal qual a do primeiro beijo em seu anjo
primeiro toque em sua carne,
estranhamente
é melancólica como a primeira lágrima inocente
que veio a rolar em meu peito em pelo cru
à primeira, das diversas que seguiram-se
uma sempre mais pesada que a anterior.

Guardei todas,
escrevi e amei cada uma delas.

Este perfume rubi,
este licor rubi
lavando essas mãos e bocas sujas
as quais ainda desejam profanar seu corpo,
essa alma tão sua,
tão igual,
tão gêmea,
tão castigada por essa ausência,
ausência mundana, logo imunda.

É estranho...
Achei que a ultima lagrima doeria,
mas ela não dói,
ao passo que é um alívio.

Logo mais...
Logo mais...
Vou ter algumas bonitas dezenas de primaveras
a lado das flores.

Ver-te germinar, crescer, florescer,
criar sementes,
chorar um pouco mais
e nutrir aquele ódio ciumento da abelha que lhe colhe o néctar.

Nesse túmulo inexistente
apenas uma pétala de mágoa pode residir
encoberta por bons pares de pétalas do que representou seu amor.

Fazer-te virar anjo com um beijo.
Fazer-me virar anjo com um corte.

In my life...
i...
love you...
more...

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