sábado, 17 de novembro de 2012

Por uma parede, um abraço.


Olhei pela janela -que lixo-, voltei a dormir. Não tem poesia hoje não. Cadê minha garrafa de vinho? -Ah cara, inferno-, já nem sabia o que estava xingando. Adoro isso... Enquanto isso, no apartamento ao lado, a vizinha bailarina tomava uma lata de alguma boa cerveja pilsen mesmo no frio infernal que fazia na varanda.

-Ei... Quer me dar um abraço?-
-Ei... Quer um abraço?-

Uma troca de olhares.
Um gole de cada lado.

-Dois babacas-
-Dois babacas-

Cada um para sua poltrona, dividir a mesma parede, a mesma cidade, o mesmo desejo, o mesmo tédio. Por uma parede, um abraço, uma família que nunca vai se formar.

-Boa tarde-
-Muito boa-


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