sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

El-Dorado. Um pedaço do melhor dos mundos possíveis.



Vivemos no melhor dos mundos possíveis, pois existe um Deus que é o melhor Deus possível, que faz as coisas do melhor modo possível, portanto não há como haver mundo melhor que esse. A partir desse pensamento difundido pelo filósofo Pangloss, Cândido (só sendo muito Cândido para pensar assim) o qual provavelmente é um filho da irmã do barão de Thunder-tem-tronckh com algum nobre fidalgo da região, é criado na distante província da Vestfália, no castelo de Thunder-tem-tronckh e de fato prega e acredita que tudo está certo, afinal, este é o melhor dos mundos possíveis.
Cândido é criado a sombra dos ensinamentos do filósofo Pangloss, o qual foi concebido por François Marie Arouet ou Voltaire (Paris, 21 de novembro de 1694 – Paris 30 de maio de 1778) como a imagem e semelhança do filósofo Gottfried Wilhelm Von Leibniz (Leipzig, 1 de julho de 1646 – Hanôver, 14 de novembro de 1716), em especial a sua teoria do melhor dos mundos possíveis, onde tudo está do melhor modo possível, pois existe um Deus que é o melhor Deus possível e fez as coisas do melhor modo possível, entretanto essa teoria vai por água durante toda a trama, pois em um mundo perfeito não existe espaço para o mal, a maldade ou pessoas maldosas, podemos notar como Cândido é amplamente enganado durante a obra e ainda assim continua com sua fé nos ensinamentos de Pangloss inabalada.
Entretanto, não vamos falar sobre a rotina dentro do castelo de Thunder-tem-tronckh ou de aspectos filosóficos aprofundados. Falaremos aqui de um aspecto político da obra e do que talvez seja um pedaço do melhor dos mundos possíveis, o país de El-Dorado.
El-Dorado é um pedaço da civilização Inca, que não foi destruída pelos colonizadores espanhóis. Um trecho do mundo onde a lama do país é composta de ouro, diamantes e pedras preciosas. Uma nação onde se comem colibris e urubus com toda a naturalidade do mundo (não que isso seja importante, apenas ressalto aqui as diferenças culturais). Candido e Cacambo são bem recebidos o tempo todo em El-Dorado, desde a hospedaria que os acolhe e alimenta tudo por conta do governo, até a audiência com o governante da cidade, o qual a considera como um reino muito pobre e humilde. Mas como pode um reino onde as taças são incrustadas de pedras preciosas e as crianças brincam na rua com diamantes e rubis, ser considerado um reino pobre e humilde? El-Dorado é um reino escondido de todo o restante do mundo, o que o torna um pedaço do melhor dos mundos não é o ouro e riquezas em si, mas o fato de ser um país livre de ganância. Ainda sendo pobres, Cândido e Cacambo nunca foram destratados por sequer nenhum habitante de El-Dorado, os quais, mesmo também se considerando pobres, acolhem os dois viajantes que tudo que dispõem. Essa humildade e bom espírito levam o povo de El-Dorado a ser o melhor dos povos possíveis dentro do melhor dos mundos possíveis. Porque afinal o povo de El-Dorado é tão honesto e acolhedor? Não há na obra uma referência direta a esse fato, entretanto, o povo parente dos Incas viveu isolado durante milhares de anos, pode ser uma péssima ideia associar à ganância a colonização e influencia européia, mas esse isolamento pode de fato ter sido a causa dessa inocência prolongada.

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