terça-feira, 22 de outubro de 2013

Putinha IX


Agora eu que dou as cartas,
baby!
Acho bom me tratar como uma dama!

E naquela noite
no Bordel da Boa Esperança...

Como uma dama apanhava,
como uma dama sangrava,
um belo cavalheiro lhe estuprava.

Como a boa Putinha que é
chorava, chorava e chorava.

sábado, 12 de outubro de 2013

Sobre Deuses, Senhoras e Ruas do Conquista.

- Vai descer a rua, meu filho?

Dizia a senhora ao lado do carro de policia, após ser rejeitada pelos incompetentes fardados que pelo visto não entendem que "servir e proteger" significa algo como "servir e proteger".

-Vou sim, senhora. Estou indo para o Conquista. Quer companhia? 
-Foi Deus que te mandou, não sabia como desceria essa rua, ela é tão perigosa essa hora.

Como é que vou dizer isso? Sou ateu, tenho depressão e fiquei bêbado tentando transar com minha amiguinha, mas pelo visto ela vai ter uma noite bem mais divertida que a minha.

-Amém. Esse trecho ficou bem ruim depois do Rodoanel. Vai até o viaduto?
-Não. Eu moro a duas quadras da escola, inclusive estou vendo minha filha no portão.
Deus te proteja, meu filho. Tenha um bom fim de semana.

Acho que o Deus dos bêbados gosta da senhora, mas foi uma coisa boa afinal.
O que me intriga é que no exato momento em que a deixei sã e salva em seu portão, um cachorro vira-latas começou a andar do meu lado.

-Quer uma carona também, meu parceiro?

E assim fomos conversando a respeito de mulheres e cadelas, ossos e cervejas até a porta da minha casa.

-Bem... Se o Deus dos bêbados gosta de senhoras, o Deus dos Cachorros parece gostar de bêbados. Meu novo amigo, espero que o Deus dos caminhões não goste de cachorros. Tenha uma boa noite.



sábado, 28 de setembro de 2013

O nome disso é estupro.


Mas não tem problema,
eu não sinto nada por ele.
Não digo que o amo,
não o beijo,
não dou as mãos,
não olho nos olhos,
ele só me come a força todos os dias,
mas eu juro que é sem sentimento.

Ele não faz por mal,
ele não usa a força quando eu não me nego.
Espero que ele enjoe de mim
e arranje alguém que o ame,
faça suas vontades sem questionar.
Ele não é uma má pessoa,
deve ser influência das drogas.

E com esse discurso
o crime tornou-se hábito
e ela achava ser diferente por ser vítima
não sabendo quantas e quantas e quantas
repetem o mesmo todos os dias.

Gente covarde
sente o cheiro do medo,
sente o cheiro da cultura de estupro gritando na mente
retraindo qualquer defesa.

Se você compactua com isso,
meu "amigo".
Eu tenho nojo de você
e vou arrancar seus belos olhos com minhas próprias mãos.


Sou contra toda e qualquer prática de violência e em especial violência contra a mulher. O medo da denúncia, o sentimento de piedade com o agressor ou a falta de fé em uma justiça são seus maiores inimigos. Eu perdi a pessoa que mais amei pois ela tem medo de se expor denunciando um estuprador que até hoje usa da força, ameaça e coação para conseguir o que quer e infelizmente uma denuncia só funciona com o testemunho da vítima, a qual sabe nome, telefone e endereço do agressor, mas tem medo que o mesmo destrua não só a ela, mas tudo ao redor dela. Se você é mulher, eu e uma multidão te pedimos: Seja forte! Denuncie!


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

De oito meses.


Sempre tarde.
Nasci de oito meses,
atrasado obviamente.

Se houvesse chego um pouco mais cedo
ou um pouco mais bonito.
Provavelmente as coisas teriam tomado
um rumo mais agradável.

Eis um decoroso dom:
estar no lugar certo
mas na hora errada.
Canalhas desprovidos de toda a virtude
ironicamente sabem exatamente onde estar,
mesmo que seja o local onde não se faz necessário.
Desconfio que são convidados pela pessoa certa
a fazer a coisa errada.

Podem não ter nascido mais cedo
mas nasceram mais bonitos
no fim, isso prova-se sempre mais vantajoso. 

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Putinha VIII


Do lado de fora
chovia...
Parece que fiz uma deusa chorar.

Com justiça, suas lágrimas molham-me dos pés a cabeça.
Lágrima doce.

Enquanto isso,
o Bordel da Boa Esperança
funcionava a pleno vapor.

-Você parece triste, cowboy.
Essa marca de lágrima seca
fica bem evidente em seu rosto.
Lágrima salgada.-

-Você é quem parece triste, meretriz.
Essa marca de esperma seco
fica bem evidente em seu rosto.
Esperma ácido.-

Chovia e o cavalgava.
Como a boa Putinha que é:
Chorava, chorava e chorava.

sábado, 21 de setembro de 2013

Sweet dreams.

Merda de susto! Não fazia ideia o que significava ou qual era a função a essa altura da vida, mas acabei de ter um sonho agradável com você. Não... Não foi um sonho bom... Foi apenas um pesadelo doce. Apenas a sensação boa em sonhos contrastando com quão amarga vem a ser a realidade. Não foi um sonho, foi uma peça bem pregada e arquitetada entre o inconsciente e a realidade. Meus pesadelos estão de parabéns, finalmente conseguiram um modo de me assombrar mesmo acordado.
E o que mais eu poderia ter feito?

-Poderia calar essa boca e fazer o que te vem a cabeça.-
Não é preciso responder.

É. Talvez tudo esteja em seu devido lugar.

Curiosidade a respeito da infancia

Quando tinha algo como dois anos de idade
tentei ingerir veneno de rato.
Mal sabia naquele tempo
o que estava por vir.

Medo de como sempre acerto
mesmo com anos de antecedência.

Saudades de minha coragem


Minha incapacidade de arrancar fios de cabelo e barba por não suportar a dor aguda que se proporciona é a única trava de segurança que me impede de tomar medidas drásticas para acabar com tudo de vez. Acho que um tiro deve doer feito arrancar um fio de barba, direto, reto mas logo passa. Basta puxar o gatilho.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Cely tem razão, pensei enquanto baforava fumaça para o alto na estação de trem. Merda de calafrio. Precisamos um do outro, de fato. Mas eu tenho orgulho do alcoólatra que ela me tornou. Então na verdade, não preciso de ninguém tanto quanto ninguém precisa de mim. É assim que tem de ser, Cely. Merda de calafrio. Preciso pegar meu trem, dizia eu apagando a chama que ardia dentro do peito.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

KM 9

Amo me perder!

Encontro cada coisa no meio do caminho.
Mesmo sabendo que tenho de as abandonar no fim do dia, 
está tudo bem! 

Pudemos viver isso por um momento e demos tudo de si,
creio que cinco minutos de tudo valem mais do que muitos anos de nada.

E é por isso que continuo me perdendo,
marinheiro sem bussola,
Pierrot sem máscara,
depressivo insaciável sem remédios,
e principalmente apenas mais um metido a poeta sequer tendo uma musa.

Não uma musa,
apenas todas elas!
Minhas preciosas musas de beira de estrada.


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Arrotando caviar.



Colocou todos os pretendentes na friendzone
pisou com salto agulha em suas intenções e corações
esperou o colossal pinto de ouro gotejando chocolate
estacionar o Mercedes em sua porta.

Morreu virgem,
sozinha, sem prole, sem orgulho
chorando no canto de um barraco improvisado
com seu salto agulha enfiado em seu cu.
Cerveja amarga na hora do café
Um conhaque 12 anos no almoço
E uma moça de meia idade no jantar.

Não é à toa que ando inspirado.

Não quero incomodar.

(...) Tenho para ti duas ou três palavras,
mas parece que já não é mais algo em que deva me meter,
provavelmente nem nunca foi problema meu
mas gosto de fazer coisas erradas, 
então foi bom ter o feito quando não devia.

Mas não mais agora,
não mais.

Não quero incomodar 
com palavras que te afetam
e só eu sei dizer.(...)

domingo, 8 de setembro de 2013

"Garçom, traga duas cervejas escuras e um buquê de rosas.

Rosas?

Presentes para o fígado e para o coração."

sábado, 7 de setembro de 2013

Vocês insetos se merecem!


A moça é uma covarde
usa do "amor" para explicar seu olho roxo.
O moço passa exageradamente do limite do patético
usa do "amor" para explicar o que na minha terra leva o nome de estupro.

São ambos tão medrosos,
que vocês insetos se merecem!

E essa cena se repete,
repete
e repete!

Teus gritos de socorro
ficam abafados por mãos cruéis e incapazes,
por um medo implantado no fundo do útero
e pela violência covarde cuspida pelo pênis agressor.

Um padre idiota deu a benção "sagrada"
duas famílias deram seu aval.
A aliança é o sim do estuprador
e lágrima eterna da vítima.

E essa é a forma mais baixa de conformismo
disfarçado de amor.

Limpem essas bocas
com seu próprio sangue
antes de falar sobre o amor.

Então renasça!


Saia da concha
musa Afrodite!
Saia da concha e me inspire!

Como bom Boticcelli
arranquei-te as roupas
a vergonha
e um beijo.

Pincelo tuas curvas com paixão
mancho a tela,
mancho as roupas, mancho o teto
e porque não, manchar a ti?

Renasça,
Deusa renascentista!

Renasça!
Seja musa do artista!

Sobre mulheres fortes.


Mulheres fortes
nos braços de homens fracos
com mãos fortes.

Nunca vou entender
essas relações tão desequilibradas.

Digo,
não faz o menor sentido!
Mulheres com "quê" de rainha
dando:
mãos;
corações;
tempo; atenção e prazer
para moços cheios de uma beleza
 tão vazia
que transforma a virtude
em mera ofensa cretina.

Quando mais jovem
achei tratar-se de controle sobre o espécime mais fraco (no caso, menos sábio)
Eis que envelheci
constatei tratar-se de bons puxões de cabelo,
tapas estalados na bunda
e doses de impropérios terminados em:
"Você gosta, não é? Sua vagabunda!"

Apaguem as luzes, não consigo ouvir nada!


Ruídos, ruídos, ruídos!

Ser paulistano é conviver um pouco com isso, não é?

Por isso percebi que silêncio mesmo só se tem na madrugada do meio da semana no subúrbio
e dentro da paz interna no olhar para si mesmo.

Por isso que o melhor da vida
se faz de madrugada e com as luzes apagadas.

O mal da geração.

"Você sofre do mal da sua geração, a tal da depressão.

Pensei - Depressão é apenas a cereja no bolo de um monte de crimes que você choraria apenas de imaginar.

Disse - Deve ser mesmo."

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Coma Berenices


Abaixei, abaixei e abaixei a cabeça em meio a cabeleiras de moças de diversos nomes, 
levantei meus olhos durante um abraço desses
e meus olhos foram levados as estrelas da nuca de uma moça grega
era a Cabeleira de Berenice me acariciando a visão.

Quem diria,
tanto tempo e saliva gastos procurando
uma Berenice dessas 
me seduzindo com seu rabo de cavalo a tanto tempo.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Cinquenta tons de falta de rola ou O amor é um cão e ninguém te ama.


Acho interessante o tipo de encontro que São Paulo consegue fomentar...

Estava no (in)eficiente metrô
lendo uma velha obra, 
do velho Buk,
um velho poema qualquer.

Uma bela moça
aparentemente oito anos mais velha que eu
senta-se a minha frente.

Esbarramos pernas,
nos olhamos.
Impossível dois pares de olhos desconhecidos se segurarem por tanto tempo.

Meus olhos castanhos se dirigiram a um livro em suas mãos
"Cinquenta tons de cinza"
Seus olhos de cor clara a qual não soube identificar por falta de óculos fez o mesmo
"O amor é um cão dos diabos".

Nossos olhos voltaram a se encarar:
-Seu marido não te satisfaz, não é?
-Ninguém de fato te ama, não é?

Voltamos a nossas leituras...

sábado, 31 de agosto de 2013

Bigode cheiroso.


O cheiro da sua xana está impregnado no meu bigode,
não consigo dormir 
com isso me atormentando.

Caralho,
faz meses que não boto meu bigode no meio de suas pernas!
Resolveu se esfregar na minha cara a distância, é?

Se vier,
traga cerveja, ok?
Ou chocolate,
da quase na mesma,
só o cheiro do bigode é que muda.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Putinha VII


A chuva lava o telhado do Bordel da Boa Esperança.

Chove mesmo. 
Chove que é bom.

É Deus limpando com lágrima
todo o pecado que a gente faz com sêmen.

"Hoje nos somos iguais, Deus.
Como as boas putinhas que somos
choramos, choramos e choramos."

Só sei amar as loiras.


Será que essa loira não percebe o quanto a amo?
Que fico louco longe dela e fico louco junto a ela?

Será que essa loirinha não se toca?
Quanto mais fria comigo
mais comento com meu amigo
Eita loirinha danada pra mexer com a cabeça de um poeta.

Ah, loira das curvas bem definidas!

Suada, suada nos dias quentes
levada, levada das mãos aos dentes!

Diabo de pescocinho com colarinho branco
Loirinha filha do diabo com o campo
Descalça, de chinelos e há quem te aprecie de tamanco.

Garçom: Traga uma camisinha!
Vou querer bem gelada minha cervejinha!

sábado, 24 de agosto de 2013

Porque me pergunta o que deve fazer se já vem pré-disposta a não fazer o que eu sugerir?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

De um Gentleman a uma Piranha aleatória.


As vezes,
mas apenas as vezes.

Quase sinto saudades dessa sua boca gelada
e dessa língua pontuda
tentando tirar algo de dentro de mim,
enquanto eu calmamente
procuro algo nesse teu quarto tão usado
com uma intrigante luz por entre os vãos da telha.

Mas minha querida amiga.
Você quebrou meu coração,
por muito menos eu já teria quebrado o seu nariz.

Então eu escarro com nojo teu nome
limpo a boca com conhaque
e tudo bem,
sua piranha estúpida.

domingo, 18 de agosto de 2013

El mañana.





Recuerda ese día?
Dejamos atrás un hermoso amanecer.

Estrellas vuelven
Gire planetas
Ray, la estrella y la luna
Bien vintagge mismo.

En sol frío en Santiago de Compostela
Juró por lo menos
la promesa eterna
Siempre para siempre.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

We all are creeps.


Partindo da mesma merda de pressuposto
somos vermes no fundo de um poço,
Roendo suas entranhas lambendo até o osso.

"I'm a creep
i'm a weirdo"

Fora do padrão
pequenas filhas da solidão
Vida sem padrão, patrão ou perdão.

"What the hell i'm doing here?"

Percebi
o verme é o que mais sorry.

"I don't belong here"
Nem eu, querido Thom. Nem eu.

domingo, 14 de julho de 2013

Putinha VI


Ah mãezinha...
Tem sido difícil desde que se foi.
Mas eu sou forte...
Quer dizer...
Eu sou...
Eu...
...

Mão na lápide e não fala nada,
levanta esse rabinho e pede pra mãezinha no céu.

Desculpe-me mãezinha,
 mas negócios são negócios.

sábado, 13 de julho de 2013

Despedida ao cão.


Levou sua mão em meu rosto e percebeu que ali o sangue ja não corria
a muito não corria
apenas subsistia.

Uma insistência boba
"Menino, que mania feia de pisar por onde não tem chão"
Mas não o vejo
nem o desvejo
O chão foi puxado de baixo de meus pés?

Diga ao meu cachorro que hoje seu dono não volta a noite para seu bebê,
desculpe, meu amorzinho mas de hoje essa dor não passa.

"Mas você precisa fazer coisas que você gosta"
dizia ela
fazendo o que gosta...

Silêncio...
Entendi!

Prateada como a mais melancólica Lua
na gaveta de cima, junto aos analgésicos.

Um breve respiro
adeus...

Ao menos assim pude sentir suas mãos em meu rosto.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Goza comigo, goza de mim, goza pra mim.


Um remédio para o tédio:
 um amor safado desses de novela,
uma serenata brega na favela
bater um atabaque na capela.

Saravá meu pai!
Saravá minha mãe!
Eparrei Nossa Senhora dos Ateus!

Toca em mim meu amor,
toca em mim.
Toca pra mim que eu toco em ti!

Goza da vida
que a safada se orgasma.

Vem sem medo, minha princesa
Vem sem medo que te construo um castelo de loucura
só não cai da janela pois A Queda dói de verdade.

Vem no clima
vem sem rima.
Abre o sorriso
 e goza comigo

sábado, 29 de junho de 2013

Putinha V


"Não sou mulher pra ser esposinha de homem nenhum!"
Com sua fala forte
foi-se embora de perto do seu consorte.

"Quanto orgulho,
vai te levar a um monte de entulho"
Dizia, um outrem
a essa hora não importa quem.

Enquanto tentava entender o que se passava
o Bordel da Boa Esperança funcionava.

Tirou sua aliança e sorriu orgulhosa de seu preconceituoso ato
não se importou em machucar os joelhos andando de quatro.
Sua coleira parecia lustrosa,
combinava com seu quarto.

"Não sou mulher para ser esposinha de homem nenhum!"
Fechando um acordo incomum,
seria troféu de um canalha ébrio de rum.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Chorinho em dois tempos.


De volta a vida,
minha querida
pequena perdida
minha razão
pré estabelecida,
novamente querida.

Teu cheiro no edredom
lençol, girassol
poesia em clave de sol.
Inspiração de ti em mim
Em breve
aroma por toda a casa.

Quinhentos dias longe de sua pessoa.
Quinhentos dias gastos à toa
enjoa,
enoja,
entristece
nem que quisesse
faria algo que preste.

Passa o tempo...
vazio feito ameaça em plena fuga
covarde como soco em criança
IMPERDOÁVEL
como o estupro em teu ventre.

Novamente se deixa ir, vazia
vi suas costas,
não se despedia
não queria
jamais iria
pedia...

Eis minha mão. Segura?
Perdoa minha ação impura?
Não percebe que sou só sua?

Vai embora e solta minha mão,
deixa aqui só água e pão.
Viver ao seu lado?
mentira recheada de solidão.





Nunca mais vai mentir para mim.
Adeus.

Só há mar. Só amar.


Queria que soubesse
sem que te dissesse
antes houvesse descoberto.

Nessa terra seca
só amar
só há mar.

A lágrima que lamenta sua ausência
só amar,
amar essa pequena chorona
há mar imenso de distância.

Teu olho que umedece
teu intimo amolece.
Por trás da minha recusa
só amar
só amar.

Nem gosto do mar.
Prefiro a terra seca
a chuva marota que deixa o céu blues,
mas meu mundo insiste que só amar.
Em Amares, que vem para o bem.
Só amar.

domingo, 2 de junho de 2013

Sexo Verbal. Sacanagem não é o que fazemos na cama mas o que fazem com a gente.


O espetáculo é uma festa feita para o amor. Uma ex-prostituta é a anfitriã. Atores e público são os convidados. Os desejos e frustrações pairam acima de todos os personagens do espetáculo: o pseudo modernismo de uma mulher romântica, a falsa moral e a religião esbarrando nos desejos de um bissexual, o conservadorismo de um homossexual, a ingenuidade roubada de um jovem artista, num velho freguês a prostituta procura seu pai. Os desejos e segredos dos personagens são divididos em conversa direta com o público, ou ao pé do ouvido de um ou outro espectador, ou em um pensamento que escapa da mente do personagem, ou aos gritos, como num quadro de Munch.

SEXO VERBAL volta-se para o universo da sexualidade humana, estudando o discurso sexual, apoiando-se num saber narrativo que pressupõe palavras, imagens, rituais, fantasias, culto de todas as formas de expressão corporal. O universo literário de autores como Caio Fernando Abreu, Rodrigo Levino, Marcelino Freire, Hilda Hilst, Paula Taitelbaum, Tati Bernardi, Hilda Hilst, Adelaide Carraro, foi pesquisado - sob orientação de Marcus Aurélius Pimenta – para a criação do espetáculo.

Dramaturgia e Direção – Aurea Karpor
Elenco – Aurea Karpor, Leandro Caldarelli, Mariana Galeno, Rhafael de Oliveira, Rodrigo Costrov e Victor Poeta.

Figurinos – Victor Poeta

Cenário, Iluminação e Músicas - ProjetoBaZar

Orientação inicial de Pesquisa Literária: Marcus Aurélius Pimenta

Registro: Mariana Galeno e Leandro Caldarelli

Divulgação: Márcia Marques

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Você me faz vomitar.

  

 Você acha ridículo a vida toda, aqueles casais que ficam se chamando de "meu amor, meu bem, meu tudo, minha vida", ficam se abraçando no meio da rua, andam sempre de mãos dadas, não perdem a oportunidade de entre uma frase e outra roubar um beijo, falam abertamente sobre o futuro, veem crianças e idealizam as suas próprias, blá, blá, blá e tudo aquilo que te dá vontade de vomitar.

   E então...

   Você cai de amores...
Não aqueles da adolescência, que duram um verão e vão embora para a vida toda. Você cai de amores da maneira mais patética possível, você fica de joelhos por aquela pessoa e não entende como uma coisa dessas pode acontecer com você.

   E ai, meu amigo. Você me faz querer vomitar.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Epicamente sepultado.


E é assim
o fim
Morre um ator
 nas asas do Serafim.

Toque e destrua
Durma na rua
Uma existência tão sua.
Não mais...

Esse riso forçado,
essa cara de paisagem,
uma ilusão
uma miragem.

Segurança
insegurança
Estabilidade
Ironicamente,
tratava-se de um fã,
um fã.
Um cadáver decomposto.
A ultima pá de terra sobre sua maltratada sepultura.

E é isso,
não é.
Nunca foi,
só eu achei.

domingo, 28 de abril de 2013

Vendo-me.



Vendo: Um poeta cheio de carinho. 
Um escritor cheio de melancolia. 
Um palhaço que usa a máscara para disfarçar tudo isso. 

Semi-novo, 
apesar do pouco uso está um pouco desgastado,
 precisa de trocar as baterias.
 Veio com um péssimo design, por isso faz pouco sucesso no mercado. 

Pagamento via esmola de compaixão 
ou via interesse verdadeiro.

 Negociar em qualquer mesa de bar.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

E vocês sempre vão acabar indo embora
falando que sabem que eu vou ficar bem.
Vocês nunca arriscaram a ficar para me ver bem,
e não arriscaram voltar para me ver mal.

domingo, 21 de abril de 2013

Um dia desses,
sem aviso,
meto um tiro no nariz
e outro no céu da boca.
Só pra ver de perto se o inferno é tudo isso que dizem.

domingo, 24 de março de 2013

Vinte e dois


Vinte e dois invernos
Vinte e dois infernos
Vinte e dois pontos na ferida pustulenta
Vinte e dois tiros de calibre vinte e dois

Contabilizar é perda de tempo
Vinte e dois é só o inicio.
Busquem suas luvas, crianças
Vinte e dois corações partidos é pouco se for contar.

Vinte e dois mendigos nos ensinaram filosofia
Vinte e dois punks nos deram alguma diversão.
Seriam mais
ou seriam menos?

Vinte e dois anos passaram-se 
como se tivesse vivido por vinte e dois anos
vinte e dois enganos
vinte e dois ciganos.

Vinte e dois programas 
de alguma loira pela manhã.
Vinte e dois programas
de alguma loira pela noite.


Vinte e dois anos
nenhum plano
reto, oblíquo, átono
desejado.

"Mas como pode dizer como tanta certeza, se ainda são só vinte e dois"
São apenas vinte e dois
Vinte e duas existências.
Vinte e duas carências.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Putinha IV



O ato de ser
O fato de ser
Um bang!
Seu coração partido torna-se inexistente
Eternamente não será.

No andar de cima do Bordel da Boa Esperança...

Gritava,
 reclamava,
e xingava.

Por fim apanhava
e assim cavalgava.

Como a boa Putinha que é
Chorava, chorava e chorava.

terça-feira, 12 de março de 2013

Putinha III


Penteou os cabelos
Perfumou-se
Pôs sua melhor lingerie.
Sonhou com o príncipe encantado

-Acorda vadia,
chupa-

Cuspiu pelo ralo,
seus sonhos,
meus sonhos,
mas a porra ela engoliu.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Amar(go)



Não é certo
Não é bonito
Mas assim o foi escolhido.

Abri a janela que tanto olhava
Descobri que só seus olhos conseguem ver girassóis
onde só me vi a sós.

Qual o motivo dessa falta?
Quem volta sozinho ao som da flauta
sabe que é o flautista
o malvado do flautista
Flagelo da Conquista.

Assim acredito
assim é mais fácil acreditar
se é que há crédito em meu creditar.

O pecado proferido foi ver beleza onde não deveria
em teoria
quem me julgaria?

Perdi para um esplêndido adversário
Deixou-me com cara de otário
Passou contigo mais de um aniversário.

Ah, querida.
Aceitou-me em tua vida!
Entendeu o bonito da ferida
Proibida
Indevida
Novamente querida.

Besta...

Para de maltratar meu coração.
Um osso ao cachorro velho nunca oferecerão
Um amor ao poeta chorão.
Uma comédia ao palhaço fujão.

domingo, 3 de março de 2013

Putinha II


Noite mais
Via seus medos fatais.
Noite menos
A humanidade perdemos.

Enquanto isso no Bordel da Boa Esperança...

Teu cliente novo a comprava
Com vigor a estuprava
De Putinha lhe chamava
Sua cara pisava
Em seu útero gozava
E como a boa putinha que é
Chorava, chorava e chorava.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ode a covardia ou De como trocou meu dom por uma surra de pica mole na cara.


Ia escrever uma poesia bem bonita pra ti.
Bem bonita mesmo
Das coisas boas
do modo que sempre me fez sentir.

Mas sua covardia é feia demais
feia demais para receber aquilo que mais tenho de bonito.

É uma pena.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ver-te-ia.


Ver-te-ia dormir toda a noite
Veria sim mocinha
Para ter a certeza de que enquanto estaria em meus braços
Sonharia sim comigo.

Jamais soltaria esse teu corpo cansado
Nem se quisesse sair
Como se isso fosse uma opção...

Não duvide mocinha puta
Dormiria ternamente em meus braços.
Nem que tenha de colocar uma bala no meio de sua cabeça de moça pura.

Descansar-ver-te-ia
Enquanto teu sangue vertia.
Em seus sonhos, teu assassino se divertia.

Putinha.


Mais uma noite ela trepava.
Não fazia sexo
Sequer sabia o que é amor.
Ela apenas trepava, trepava e trepava...

Lembrava-se do conselho de seu protetor
Fitava os olhos de seu algoz
Que impiedosamente lhe usava
Como a criança selvagem que é gozava, gozava e gozava

Todas as noites, durante toda a noite
Abria sem vontade suas perninhas de moça usada
Cuspia no pau que lhe tocava
Como a boa putinha que é, chorava, chorava e chorava.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Auto-ajuda.


  Sinto-me na obrigação de escrever livros de auto-ajuda para garotos e arotas gordas pararem de chorar pelo lixo de suas vidas, mas percebi que descrevo muito melhor a dor do que de fato o tratamento das mesmas. 
  Talvez seja um problema, talvez seja hábito, talvez seja algo negativo, talvez (pasme, Rhafael) há quem seja insensivel de tocar voluntariamente em assuntos que causam dor, há quem leve avida numa boa ao seu lado mesmo sabendo que isso causa dor também, ou acham que dor é brincadeira?
  Era mais feliz quando minha maior dor era fisica. Anyway, eu poderia ter sido um aborto, não contente, poderia ter morrido na infancia por uma bobagem e aqui estamos agora... Usando a dor como base em sua arte, descrevendo o amor a partir da dor que ele deixa ou da dor que a causa dele faz, descrevendo solidão, tirando gente de seus problemas, abraçand alguns, sendo enganado por outros, e jamais esquecendo de quem fez sentir qualquer tipo de dor, é o dom do rancor.
  Well... Vamos tomar chá com calmantes o suficiente para derrubar um boi e acordar fingindo que nã escrevi um teto deste tamanho pois tivemos um longo dia com muita gente achando que eu estou firme e forte como uma muralha e resolveu testar até onde meu coração vai antes de ter um infarto (mais 6 anos, assim espero).