sábado, 19 de março de 2016

Animal defeituoso.




Vá se tratar!

Todas elas me gritaram ao fim de cada noite perdida. De cada noite sozinho. Sozinho em multidão.Ah, como isso é cruel. Gente que grita demais para se convencer que não vão morrer sozinhos. 

Minha mãe me ensinou a não falar com a boca cheia de certezas. É nojento. Cuspam ou engulam esse ego antes de falar.

Não existe lugar para gente como eu na sociedade. A depressão é uma doença de gente rica. Terapias e remédios custam tempo e dinheiro. Não tenho nada disso disponível. A nós pobres, só nos resta a bebida e o suicídio, cada qual também requintado conforme seu dinheiro se dispõem. 

Vocês todas, jovens putas, frescas e bêbadas, cobram-me para que eu esteja bem, feliz e produtivo todos os dias Cobram-me para que eu enfie na cara o mesmo sorriso de desespero que todas vocês ostentam, o mesmo sorriso que todo suicida da na sua ultima talagada de conhaque. Eu cobro-me para resistir a tentação de me jogar debaixo do metrô todos os dias. Mas não mais. Nunca mais. Sem a velha nóia, sem preocupação, sem dor, sem arrependimentos, sem humilhantes lágrimas. Humilhantes.

E por fim, eu me recuso a viver em um mundo tão perverso que te julga e te apedreja por ser fraco aos olhos do belo. Despeço-me aqui. Animal defeituoso que sou, peço desculpas pela bagunça.

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